Performance e produtividade

Atualizado: 11 de Set de 2019

Falar em performance e produtividade é algo bastante recorrente nos dias de hoje, principalmente no ambiente corporativo, mas cada vez mais estes assuntos, bem como o correlato gestão de tempo, estão ganhando a atenção da sociedade moderna como um todo.



Em princípio, fomos ensinados a pensar sobre performance e produtividade de forma a associa-las diretamente com uma ideia mecanicista − nada mais justo, afinal de contas nossa educação escolar fora construída a partir desta base. Desta forma, pode parecer, por vezes, que o desafio de se produzir mais e melhor é só uma questão oriunda de alguma falha técnica ainda existente que, ao ser resolvida, resultará em uma performance melhor. E geralmente, passado algum tempo, esse “resultado melhor” que um dia fora a meta a ser alcançada passa a ser desafiado e novamente partimos em busca de melhorar ainda mais, sob o julgo de “ficarmos para trás” na escalada do sucesso.

Em parte, no que diz respeito a busca pela evolução e por sermos melhores hoje do que ontem, é algo que podemos considerar natural; evolução é medida universal, é meta do Universo e está presente na natureza como um todo.

No entanto, essa tensão existente na ameaçadora competitividade onipresente parece ter um preço que começa cada vez mais a ser questionado se, verdadeiramente, vale à pena. Falar em estresse hoje em dia, dentro deste caminho recorrente de se pensar em performance e produtividade, é quase um sinônimo; algo inerente e inevitável com o qual precisamos aprender a lidar e para isso parece ser, por consequência, algo natural e banal tomar remédios para conseguir amenizar esta realidade.

Mas será que só existe esse caminho mesmo?

Será que precisaremos, inevitavelmente, escolher entre sermos mais produtivos ou termos saúde física, mental e emocional?

Sob a ótica mecanicista, me parece que a resposta seria sim. Até porque a solução inerente a esta dinâmica já é uma velha conhecida. É a mesma que você vive quando quebra a suspensão do carro: troca-se a peça.

Mas aos poucos começamos a ver crescer uma busca por soluções que permitem que o potencial humano − no sentido mais profundo que essa expressão possa representar − possa ser melhor explorado, de forma mais integral e equilibrada.

E é aí que a ALMA Equus também se inclui. Acreditamos e vivemos a idea de que, da mesma forma que nos desenvolvemos intelectualmente para criarmos melhores resultados, precisamos, mais do que nunca, nos desenvolvermos interiormente, no que tange a inteligência e o equilíbrio emocional através, fundamentalmente, do autoconhecimento.

Esses dias atendi um cliente em sua sessão experimental para o nosso Processo de Coaching ALMA Equus, na nossa versão campestre, em que as 10 sessões acontecem com atividades com os cavalos. E foi muito gratificante ver a maneira como ele entrou e como ele saiu, a partir da percepção dele mesmo.

Antes de começarmos a sessão ele me relatou um pouco sobre os desafios que o trabalho dele exigia e como, por vezes, ele via sua performance cair em virtude da falta de equilíbrio emocional. Precisamos entender e colocar em prática a verdade de que somos um indivíduo integrado, de que nossos resultados não dependem exclusivamente de uma ou duas variáveis, mas de tudo aquilo que nos constitui. E quando começamos a nos conhecer melhor e ganhamos recursos para lidarmos com os nossos desafios, criamos um estado de equilíbrio que nos permite aproveitarmos melhor os nossos conhecimentos técnicos, e aí sim é possível ter um resultado melhor sem perder a saúde − e mais: com mais capacidade para lidar com as inevitáveis imprevisibilidades, pois com equilíbrio estamos no nosso centro, estamos mais presentes e, consequentemente, temos nossas percepções, criatividade e reflexos mais aguçados.

E isso é algo que os cavalos nos ajudam enormemente, pois eles interagem com a verdade que se apresenta, com inteiros e não com partes dissociadas, e quando algo inteiro se aprensenta fracionado, eles tendem a reagir àquilo que está oculto e que pede para ser visto, nos ajudando a enxergar nossos pontos cegos para que então possamos nos tornar mais inteiros.

Para dar um exemplo prático, nesta mesma sessão experimental citada, meu cliente, montado na nossa égua Estrela, iniciou o trajeto com um estado interno tenso, conforme era possível atestar observando o animal. A égua dava passos enérgicos, parecia conter uma ansiedade de fugir, um desconforto que a impedia de relaxar, que era o objetivo naquele momento. Pedi que soltasse os braços ao lado do corpo retirando as mãos da sela num simbólico movimento de “abrir mão do controle”, se deixando levar pelo movimento do cavalo. No mesmo instante, meu cliente conseguiu relaxar mais e a Estrela, instanteneamente, acalmou o passo.

Neste trabalho montado com cavalos exploramos a construção gradativa de posturas e comportamentos baseados no equilíbrio, onde buscamos estar relaxados mas ao mesmo tempo em movimento, com foco mas sem tensão, entendendo que a construção de bons resultados vai além da técnica, embora esta também faça parte. Descartamos o esforço extremo, a imposição e o desconforto pois eles geram tensões que causam desgaste físico e emocional e impedem o fluir de nossa energia. Valorizamos a intuição, a inteligência emocional, a motivação, o empenho, o respeito, a conquista e o dar o melhor de si para o bem comum (do conjunto).

Dessa forma, é possível sermos mais produtivos e elevarmos cada dia mais a nossa performance, mas para isso, é necessário assumirmos a nossa real grandeza e potencialidades, passando pelo desafio de olharmos para os nossos medos e sombras, abrindo mão da comparação diminuta que busca nos reduzir a máquinas fatalmente imperfeitas.


Tiago Litieri

Sócio-diretor e Coach da ALMA Equus

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