O que os cavalos ensinam sobre limites

Atualizado: 22 de Jul de 2019

Na nossa empresa, temos quatro colaboradoras de quatro patas. Dentre elas a Juma, uma mula linda, forte e, como todo muar, muito inteligente.



Não há quem resista ao seu comportamento sociável e curioso. Ela pede por carinho, por afago. Sempre é a primeira, e às vezes a única, a se aproximar quando chegamos perto da porteira do pasto onde vive. Ela sempre foi assim, dócil, de uma personalidade muito peculiar que faz até as pessoas que nunca tiveram contato com esses animais se aproximarem e quererem afagá-la.


Outro dia, enquanto acontecia uma sessão de Coaching com Cavalos, eu observava de fora a sessão. Via as pessoas em contato com nossas éguas e mulas e a Juma com seu desempenho extremamente sensível e compenetrado naquele evento. Lembrei-me de quando, em situações mais rotineiras, como quando vamos escová-la, ela age de uma maneira mais brincalhona. Por algumas raras vezes, nesses momentos, ela já coçou sua cabeça nas minhas costas, empurrando com facilidade o meu corpo para frente desafiando meu instinto de perigo. Dos nossos animais ela é a única que faz isso e confesso que acho certa graça, mas que sempre me lembro do treinador Cleiton contando histórias sobre o caos que pode ser instaurado quando lidamos com um animal desse porte sem a consciência de limites.


Ter uma visão clara dos nossos limites é uma percepção que faz toda diferença nos nossos relacionamentos. Limite tem a ver com respeito. Uma vez que enxergamos os nossos limites podemos respeitá-los, sentir se os ultrapassamos, se podemos alargá-los ou não. É assim também que a noção de respeito vai se tornando um valor.


Uma vez, há uns cinco ou seis anos atrás, em contato com um cavalo quarto de milha, que é uma raça bem dócil também, levei uma pisada no pé. Foi rápido, não me machuquei, não deu tempo de receber os cem quilos equivalentes àquela pata e eu estava devidamente calçada. Mas o Cleiton, que me acompanhava, me chamou a atenção para que eu demonstrasse, de forma gentil e firme, limites ao cavalo que, assim como a Juma, buscava estar mais em contato comigo invadindo um espaço de segurança entre eu e ele. Na ocasião eu não podia ceder e dar um passo para trás pois estaria dando mais espaço ao cavalo e, aos pouquinhos, nosso trabalho de líder e liderado estaria confuso e perigoso.


Não me lembro exatamente o que eu fiz, pois a alegria, que também nos faz tomar decisões precipitadas, as novidades de interação com um cavalo que eu não conhecia, a minha inexperiência na comunicação com os cavalos e vários outros aspectos da nossa complexidade como Ser me fazia ao mesmo tempo querer abraçá-lo e dar uma bronca! Sei que poderia ter balançado levemente o cabo do cabresto indicando firme e delicadamente ao cavalo que ele deveria recuar e assim ele voltaria à posição original respeitando o limite seguro entre nós.


E é assim que, através da interação com os cavalos, vou tendo mais noção dos meus limites e do valor de respeito. Tenho percebido cada vez mais que, se eu não vejo os meus limites e conseqüentemente não os respeito, as outras pessoas (e os cavalos) avançam o meu espaço.


É necessário então um tanto de conhecimento sobre mim mesma para deixar claro os meus limites e mais um tanto de conhecimento para expressá-los de forma firme e gentil afim de estabelecer um relacionamento saudável e equilibrado.

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